quinta-feira, 2 de julho de 2009

Laboratório de Ideias

No Fleury, os funcionários inovam para contribuir para o negócio e garantir um bom extra no fim do ano

Para receber a participação integral nos lucros da empresa, os 4 000 profissionais do Grupo Fleury, segunda maior rede de laboratórios clínicos do
país, têm de apresentar mais do que um trabalho bem-feito. Eles também
precisam inovar. Desde o ano passado, esse item tem peso de 5% na fatia dos
resultados que será distribuída a eles. Para coletar as sugestões, o laboratório
criou um sistema online, em que as pessoas, sem precisar consultar o chefe,
inserem suas ideias, recebem o parecer de dois avaliadores e acompanham as
etapas de implantação.

Batizado de Central de Ideias, em 2008 o sistema
recebeu 2 000 propostas e 385 foram aprovadas. "Neste ano, nossa meta é
chegar a 400 sugestões e implantar pelo menos metade delas", diz Rendrik
Franco, diretor de pesquisa e inovação do grupo. A ferramenta é uma das
apostas do Fleury para democratizar seus processos de inovação, já
reconhecidos no mercado. "O Fleury se tornou um dos líderes no setor por
inovar não apenas nos testes que oferece, mas também no relacionamento
com os clientes", diz Paulo Sérgio Quartiermeister, diretor do centro de
inovação e criatividade da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em
São Paulo. Em 1998, quando a internet ainda se consolidava no país, o
laboratório foi o primeiro a disponibilizar os resultados de exames pela rede.
Nos últimos anos, porém, a empresa entendeu que precisava reunir mais do
que ideias esporádicas para manter o ritmo de inovação.

MUITO ALÉM DA P&D

"Muitas empresas já entenderam que as inovações podem ser geradas além da área de pesquisa e estão se estruturando para aproveitar esse potencial", diz
Felipe Matos, diretor do Instituto Inovação, consultoria que reúne clientes como
Natura, Nestlé e Petrobras. Em 2007, o Fleury criou uma diretoria para
comandar a área, com duas gerências subordinadas: pesquisa e
desenvolvimento (P&D) e inovação e gestão do conhecimento. Um grupo de
nove PhDs, que antes dividia seu tempo entre exames de rotina e pesquisas,
hoje se dedica exclusivamente ao desenvolvimento de novos testes e
metodologias. O resultado foi imediato: em 2008, o Fleury lançou 80 produtos,
ante 50 no ano anterior, e já chegou a 25 até março deste ano.
O mérito por esse resultado não é apenas dos cientistas. Com uma ideia
simples e eficiente, a bioquímica paulista Flávia Aldighieri, de 36 anos, gerente
de operações de atendimento, também contribuiu para acelerar o ritmo de
inovação. Flávia sugeriu a elaboração de um kit de cadastro de novos produtos
para ser usado pelos médicos da empresa. A ideia era reduzir a burocracia na
hora de solicitar a implantação de novos exames. O material reúne todas as
informações necessárias para fazer a requisição, como a finalidade do teste e a
planilha de custos. "Antes havia uma série de etapas administrativas para isso
e muitos médicos não sabiam a quem recorrer", diz.
Para garantir que ideias como a de Flávia não se percam na organização, entra
em ação a gerência de inovação e conhecimento.

O responsável é o engenheiro paulistano Marcelo Caldeira Pedroso, de 44 anos, que chegou à
empresa no fim de 2007, depois de passar por grandes consultorias, como
IBM, Ernst & Young e Deloitte. Na remuneração variável do executivo, o peso
da captação de ideias é de 30%. Marcelo também coordena diversos grupos de
gestores, que se reúnem para discutir ideias para projetos específicos, como a
nova unidade da empresa, inaugurada em janeiro deste ano na zona sul de
São Paulo. A clínica adotou uma série de inovações elaboradas por um desses
grupos no ano passado, como o uso de computadores de mão, para agilizar o
fluxo de pessoas, e a contratação de anfitriãs com mais de 60 anos para
acolher os clientes. "A unidade foi fruto da criatividade e do conhecimento coletivos", diz Marcelo.







Compare o perfil do gestor de inovação com o de um gestor comum:

Características

Gestor de inovação

Gestor comum

Estilo de liderançaInspirar, guiarDirecionar, controlar
Maior ativoImaginaçãoConhecimento
Foco no trabalhoExperimentação,
aprendizagem

Execução, implementação

Busca por resultados

Médio e longo prazo

Curto prazo

Orientação

Grandes desafios

Objetivos e metas

Comunicação

Valores, cultura e lições
aprendidas

Metas e resultados
atingidos

Motivação

Trabalho em equipe, debates,
novas
práticas e tomada de risco

Eficiência, melhores
práticas,
diminuição de riscos

Pensamento

Sistêmico

Analítico

http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0131/aberto/materia/mt_468349.shtml

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